Zamburá combina beat'em up e afrofuturismo em uma Brasília marcada pela resistência
quinta, 3 de setembro de 2026 21h 01min
Zamburá é o novo projeto da Uruca Game Studio, que combina ação beat'em up, gerenciamento de recursos e exploração em uma versão afrofuturista e distópica de Brasília. Inspirado nos arcades das décadas de 1980 e 1990, o jogo aposta em uma estética retrô para abordar temas como resistência, identidade cultural e os impactos da tecnologia na sociedade.
A Brasília apresentada na aventura foi transformada em uma megacidade controlada por uma tecnocracia formada por ciborgues, que busca eliminar qualquer elemento considerado incompatível com seu ideal de "razão pura". Enquanto a região central concentra a estrutura de poder tecnológico, as cidades satélites se tornam espaços de resistência, preservando diferentes tradições culturais, espirituais e religiosas brasileiras diante do avanço desse regime.
Dois protagonistas estão disponíveis para conduzir a jornada, Nala e Makori, cada um com habilidades e equipamentos próprios. Nala utiliza um bastão tecnológico letal, enquanto Makori combate com o M'botu, formado por duas poderosas tonfas tecnológicas. Os golpes especiais seguem uma característica tradicional do gênero ao consumir parte da vida dos personagens, criando situações em que o uso dessas habilidades precisa ser avaliado de acordo com os recursos disponíveis.
O gerenciamento de recursos também está diretamente ligado à preparação para cada missão, com os búzios ocupando uma posição central na experiência. O próprio nome do projeto faz referência ao ato de jogar búzios, utilizado pelo jogador antes de partir para uma nova jornada. A consulta realizada por Baba Kekeu, uma poderosa sacerdotisa, pode revelar informações sobre a área que será explorada, incluindo passagens secretas, itens valiosos e até a quantidade de inimigos presentes no caminho.
A direção visual utiliza uma estética 2.5D estilizada para combinar referências dos videogames clássicos com uma interpretação futurista da capital brasileira. Elementos tecnológicos convivem com referências culturais de matrizes africanas, indígenas e europeias, formando um universo que procura estabelecer uma identidade própria para seus personagens, cenários e conflitos.
Brasília também ocupa uma função narrativa que vai além da ambientação, já que sua identidade cultural integra diretamente os objetivos do projeto. A proposta busca valorizar a cultura brasileira e brasiliense, enquanto questiona a relação entre seres humanos e máquinas, os efeitos da tecnologia sobre a sociedade e a resistência diante de estruturas autoritárias.
A demo foi viabilizada pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, com apoio do Governo Federal, permitindo que o público tenha acesso a uma versão jogável enquanto o desenvolvimento continua. A experiência apresenta parte da proposta de combate, os personagens e o universo afrofuturista construído pelo estúdio.
A Uruca Game Studio atua há mais de uma década no desenvolvimento de jogos independentes e tem como característica a combinação entre a linguagem dos clássicos dos anos 1980 e 1990 e mecânicas contemporâneas. O estúdio também utiliza seus projetos para valorizar elementos da cultura brasileira e desenvolver propriedades intelectuais com potencial de alcançar o público internacional.
A versão atual pode ser experimentada gratuitamente por meio da demo, que apresenta as principais bases da experiência e permite explorar a representação futurista de Brasília. O projeto também foi desenvolvido com foco em cooperação local, possibilitando que dois jogadores compartilhem a jornada enquanto enfrentam os desafios apresentados nesse cenário distópico.